Fundamentos Psicodiagnósticos





O psicodiagnóstico derivou da psicologia clínica, introduzida por Lighter Witmer, em 1896, e criada sob a tradição da psicologia acadêmica e da tradição médica. Consta que nem ao fundador da psicologia clínica agradou a designação “clínica”, adotada apenas por falta de melhor alternativa (Garfield, 1965). Não obstante, tudo indica que essa tradição médica, associada à psicologia clínica, teria efeitos marcantes na formação da identidade profissional do psicólogo clínico, oferecendo-lhe, por um lado, modelos de identificação e, por outro, acentuando as suas dificuldades nas relações Inter profissionais. Aquele fim de século e o começo do seguinte foram marcantes pelos trabalhos de Galton, que introduziu o estudo das diferenças individuais, de Cattell, a quem se devem as primeiras provas, designadas como testes mentais, e de Binet, que propôs a utilização do exame psicológico (por meio de medidas intelectuais) como coadjuvante da avaliação pedagógica. Por tais razões, a esses três autores são atribuídos à paternidade do psicodiagnóstico (Fernández-Ballesteros, 1986).
As sementes da avaliação psicológica, que hoje constitui uma das funções do psicólogo, foram lançadas numa fase que abrangeu o fim do século XIX e o início do século XX, época que marcou a inauguração do uso dos testes psicológicos. Historicamente, portanto, justifica-se a imagem que o leigo formou do psicólogo, como um profissional que usa testes, já que principalmente testólogo é o que ele foi à primeira metade do século XX (Gro-th-Marnat, 1999). 
Atualmente, o psicólogo utiliza estratégias de avaliação psicológica, com objetivos bem definidos, para encontrar respostas a questões propostas com vistas à solução de problemas. A testagem pode ser um passo importante do processo, mas constitui apenas um dos recursos de avaliação possíveis. Psicodiagnóstico é uma avaliação psicológica, feita com propósitos clínicos; portanto, não abarca todos os modelos de avaliação psicológica de diferenças individuais (Cunha et alii,1993; Cunha, 1996). Estratégias de avaliação psicológica, como expressão cada vez mais utilizada na literatura específica, aplicam-se a uma variedade de abordagens e recursos à disposição do psicólogo no processo de avaliação.
Pode-se referir ao enfoque teórico adotado pelo psicólogo. A avaliação psicológica foi fundamentalmente influenciada, durante o século XX, pelas principais correntes de pensamento que salientaram cada uma, a primazia do comportamento, do afeto e da cognição, na organização e no funcionamento do psiquismo humano.
Na primeira metade do século XX, predominaram “conceituações comportamentais e psicanalíticas”, enquanto a segunda metade foi assinalada pela chamada “revolução cognitiva” (Mahoney, 1993, p.8).
A tais linhas de pensamento corresponderam, originariamente, estratégias de avaliação específicas, isto é, métodos e instrumentos típicos. Mas, já nas últimas décadas, foi tomando corpo uma tendência para a integração, que já vinha se esboçando há algum tempo. Desse modo, a estratégia da avaliação comportamental foi abdicando da simples identificação de comportamentos-alvo, perfeitamente distinguíveis e observáveis, mas numa abordagem muito idiossincrásica, para começar a incorporar modalidades cognitivas e, mesmo, afetivas, apesar das fortes objeções iniciais.
Na primeira metade do século XX, predominaram “conceituações comportamentais e psicanalíticas”, enquanto a segunda metade foi assinalada pela chamada “revolução cognitiva” (Mahoney, 1993, p.8).
Há tais linhas de pensamento que corresponderam, originariamente, estratégias de avaliação específicas, isto é, métodos e instrumentos típicos. Mas, já nas últimas décadas, foi tomando corpo uma tendência para a integração, que já vinha se esboçando há algum tempo. Desse modo, a estratégia da avaliação comportamental foi abdicando da simples identificação de comportamentos-alvo, perfeitamente distinguíveis e observáveis, mas numa abordagem muito idiossincrásica, para começar a incorporar modalidades cognitivas e, mesmo, afetivas, apesar das fortes objeções iniciais. Por outro lado, até psicólogos da mais tradicional orientação dinâmica têm, muitas vezes, recorrido a estratégias de outra orientação conceitual devido a razões práticas ou científicas, neste caso, por vezes, pressionados por membros da comunidade acadêmica para serem mais eficientes, com menos tempo e custo. Também, profissionais com referencial cognitivo passaram a lançar mão de técnicas projetivas para entendimento de motivações pessoais e de outros aspectos idiossincrásicos (Piotrowski &Keller, 1984) e igualmente incorporaram avanços do campo da neurociência (Mahoney, 1993).






REFERÊNCIAS


Cunha, J.A. & Nunes, M.L.T. (1993). Teste das Fábulas: forma verbal e pictórica. São Paulo: Centro Editor de Testes e Pesquisa em Psicologia.
Cunha, J.A. (1996). Avaliação psicológica. In J.G.V. Taborda, P. Prado-Lima & E.A. Busnello. Rotinas em psiquiatria (p.50-57). Porto Alegre: Artes Médicas.
Fernández-Ballesteros, R. (1986). Psicodiagnóstico. V.I.Madrid: UNED.
Garfield, S.A. (1965). Historical introduction. In B.B.Wolman, Ed. Handbook of clinical psychology (p.125-140). New York: McGraw-Hill.
Groth-Marnat, G. (1999). Handbook of psychological assessment. 3.ed. New York: Wiley & Sons.
Mahoney, M.J. (1993). Desenvolvimentos recentes e futuras possibilidades em psicologia. Psicologia: Reflexão e Crítica, 6, 1/2, 3-16.
Piotrowski, C. & Keller, J.W. (1984). Psychodiagnostic testing in APA - approved clinical psychology program. Prof. Psychol.: Research and Practice, 15,450-456.

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